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Khodair renasce e se diz na melhor forma em 2020

Em entrevista exclusiva, o "Japonês Voador" fala da quebra do jejum de 3 anos sem pódios e da ambição em lutar pelo campeonato nesta nova fase.

Minha ânsia era de aprender nesses momentos difíceis e quando voltasse a sinergia com carro e engenheiro, estar mais preparado. Acredito que voltei mais forte.

- Allam Khodair

Quem conhece a história de Allam Khodair na Stock Car sabe bem que, nos últimos anos, o piloto de 39 anos não apresentava o mesmo desempenho que o fez ser destaque principalmente na virada da década de 2000 para 2010 na categoria.

Dono de 13 poles, 27 primeiras filas, 8 vitórias, 32 pódios, 12 voltas mais rápidas e mais de 1.400 pontos somados, o representante da Blau Motorsport jamais imaginou que ficaria quase quatro anos distante de um lugar que ele conhecia tão bem como o pódio.

No entanto, uma vez "tirada a zica", tudo tende a melhorar. E ela não saiu por sorte, mas fruto de um longo trabalho desenvolvido por ele ao longo de todos esses anos difíceis, física e mentalmente, que resultaram neste que pode ser o primeiro de muitos troféus e, quem sabe, algo bem maior. E, por conta das redes sociais, todo mundo pôde acompanhar isso de perto.

Um dos grandes destaques do retorno da Stock Car, Allam Khodair é o personagem do Entrevistão desta semana e, em um papo bem sincero, mostrou que está mais preparado impossível para seu mais novo desafio: ser campeão da Stock Car. Confira o papo conduzido por Bruno Vicaria:



1. Você passou 3 anos, 9 meses e 10 dias entre seu último pódio, no dia 16 de outubro de 2016, em Curitiba, e o segundo lugar na abertura da temporada, em Goiânia, no dia 26 de julho de 2020. O que dá exatas 70 corridas. Como foi tirar esse peso das costas?
Nem sabia que era tanto, mas eu senti, logicamente. Preferi não contar os dias. Mas me incomodou muito - algumas noites em claro! Foram três anos de experiência e anos muito importantes na minha vida por sentir o desconforto intenso e ter que encontrar uma resiliência para me manter. Um pouco inexplicável, mas importantes. Importante para qualquer um sair da zona de conforto. Foram três anos muito difíceis onde eu tive que evoluir meu emocional, valorizando a equipe e quem continua comigo. Vencer lá fora me ajudou bastante, por estar sempre competitivo. Esses últimos anos foram os que mais me preparei fisica e mentalmente, só esperando a oportunidade de ter um foguete nas mãos. Fui forçado a passar por muitos problemas e aprender com isso.

2. Em algum momento da sua carreira na Stock Car você pensou que passaria por um jejum tão longo, você que sempre foi um 'habitué' do pódio nos últimos 15 anos? Esse período chegou a fazer você repensar seu trabalho na categoria? Pois, em contraste a isso, você seguia vencendo corridas fora do Brasil...
Não, nunca me questionei. Mas questionei com o por que que estava acontecendo isso comigo. Quando entendi que eu precisava passar por isso de alguma forma, foi mais fácil lidar e aguardar. Estava, sim, em uma euforia em voltar a ser competitivo com um carro competitivo. A equipe não polpou esforços, o que me ajudou muito também. Minha ânsia era de aprender nesses momentos difíceis e quando voltasse a sinergia com carro e engenheiro, estar mais preparado. Acredito que voltei mais forte.



3. Quem te acompanha pelas redes sociais sabe o quanto você se preparou física e mentalmente para este ano. Podemos dizer que 2020 está vendo um novo Allam Khodair?
Fiz um esforço grande para esse novo projeto da Blau Motorsport junto com o Marcelo Hahn, nosso maior apoiador e dono da equipe. Como sempre, tive a confiança dele e acho que acertamos. Nada mais justo que poder corresponder com minha total dedicação para retribuir. Confesso, por se tratar de um primeiro ano com uma equipe, temi que a comunicação e sintonia não acontecesse de uma hora para a outra, Sabia que viria forte, mas me surpreendi com o entrosamento rápído. A comunicação e confiança com o Thiago Meneghel, meu engenheiro direto, meus dois parceiros de trabalho direto (Cebola e Peixe) e toda a equipe foram muito bons. Sim, venho na minha melhor forma para brigar pelo campeonato desse ano.

4. O fato de ter começado um ano todo do zero (equipe e carro novos) também têm influência nessa virada?
É um desafio para todo mundo ter que começar do zero com um novo carro. Isso faz um muito bem para a categoria: mudanças, novidades, novos desafios! É um atrativo para o público e, para nós, é uma provação. Isso pode ter colaborado, pois a competência da equipe também contou em deixar esse carro rápido assim que desceu da carreta em Goiânia. A minha virada pessoal se dá mais pelo encaixe com a equipe e com o engenheiro. Gostei também desse carro meio nervoso!



5. Você foi o autor de duas grandes ultrapassagens em Goiânia justamente sobre os carros campeões da RC. Além da ousadia na manobra, voltar a brigar com os grandes também te dá uma satisfação maior?
Nunca abandonarei meu jeito de guiar e correr, custe o que custar. Quando sinto que tenho um carro para ganhar, busco a vitoria sempre. E continuarei assim. Sei que os que torcem por mim esperam isso. Os que não torcem também! (risos) Enquanto eu competir será assim. Claro, pensando no campeonato e sem riscos desnecessários, mas meio que desse jeito!

6. Apesar de termos disputado apenas duas corridas em 2020, podemos dizer que teremos mais shows e pódios de Allam Khodair?
Muita evolução desse novo carro ainda acontecerá. Estamos em 80% dele. Precisamos continuar pedalando, mas acredito que estaremos forte o ano inteiro. Sinto a equipe muito motivada, com muita vontade de ganhar e, principalmente, de continuar evoluindo. Certamente, neste intervalo entre corridas, todo mundo vai depenar os carros e buscar o melhor. Esse vai ser o segredo do ano, evoluir etapa a etapa. Quem não evoluir não vai se manter na briga. Quem errar menos, mantendo a evolução constante, será o campeão. E esse será o meu foco, para recompensar minha equipe, todos que se mantiveram do meu lado e meus grandes parceiros. Vamos pra cima!