Tranquilo, Prost acredita em rápida adaptação e busca pódio em Goiânia

Trabalho em equipe foi a tônica do discurso das duas duplas da Prati-donaduzzi para a Corrida de Duplas do próximo domingo (22) na Stock Car, que verá no Brasil pela primeira vez em 24 anos um Senna e um Prost na pista

Ayrton Senna e Alain Prost foram grandes adversários e, no auge da rivalidade, inimigos declarados. Com a maturidade e a aposentadoria do francês tetracampeão mundial, os dois se reaproximaram e iniciaram uma amizade que, por fatalidade do destino, não pôde ser duradoura por causa do acidente de Ayrton em 1994.

Mas este exemplo foi levado adiante pela segunda geração das famílias. Bruno Senna, sobrinho do tricampeão, e Nicolas Prost, filho de Alain, são amigos e adversários ao mesmo tempo – ambos disputam a Fórmula E, categoria de carros elétricos da FIA. Senna e Prost estão no Brasil para a disputa da Corrida de Duplas que abre o Circuito Schin Stock Car 2015 no próximo domingo (22) em Goiânia.

Os dois estarão na mesma equipe, a Prati-donaduzzi: Bruno vai correr ao lado de Antonio Pizzonia repetindo a dupla do ano passado; Nicolas vai disputar pela primeira vez uma prova de carros turismo tendo Julio Campos como parceiro. E Prost mostra-se contente com a oportunidade de competir no Brasil.

“Sou um grande fã do esporte a motor em geral. Vejo todo tipo de corrida, e o que está na TV eu paro para ver. Eu já conhecia a Stock Car e sei que é um campeonato extremamente competitivo, com grandes pilotos em um nível muito parecido. Estou sempre interessado em coisas novas, por isso aceitei o convite e queria passar por esta experiência. Claro que também vai ser muito interessante ser companheiro de equipe do Bruno – e também um prazer”, disse o francês durante entrevista coletiva concedida na manhã desta quarta-feira (18) em São Paulo.

Bruno destacou as qualidades do amigo e falou como deverá ser a adaptação para os bólidos de 500 cavalos da Stock Car. “Pular de um carro para outro nunca é fácil, principalmente tão distintos como os da Fórmula E. Acho que o principal vai ser aprender a pista de Goiânia, que eu nunca andei, então vamos precisar de uma ajuda da equipe para pegar os macetes da pista. O Nicolas tem feito um ótimo trabalho na Fórmula E, se adaptou muito rápido, é constante e tem batido um companheiro de equipe que é campeão mundial de Endurance. Então não há como duvidar do potencial dele, que ganhou a última corrida da Fórmula E em Miami.

Os dois tiveram um gostinho do que é andar em um carro de turismo no início da semana, quando treinaram em um carro da antiga PickUp Racing no autódromo de Cascavel (PR). E segundo Julio Campos, o francês se adaptou rapidamente. “Minha preocupação era entender quais seriam as dificuldades dele e uma das minhas perguntas foi sobre o estilo de pilotagem dele. Ele disse que não gostava de carros muito traseiros, que é uma preferência da qual compartilho, e o que me deixou intrigado foi que ele logo de cara começou a virar tempos muito bons já nas duas primeiras voltas. No final, ele já estava no mesmo ritmo dos outros pilotos que estavam na pista. Fiquei impressionado com a velocidade de adaptação dele”, destacou.

Para Pizzonia, que reedita a dupla com Bruno Senna, as expectativas para este início de temporada são melhores. “Acho que agora já chegamos na primeira etapa com condições de brigar pela vitória. A estratégia é fazer o companheiro se adaptar o mais rápido possível ao carro, e estou tranquilo quanto a isso, porque eu e o Bruno trabalhamos muito bem juntos no ano passado”, afirmou.

A respeito de expectativas, Nico quer estrear na Stock Car pensando alto. “Eu ficaria muito feliz com um pódio. Sei que vai ser muito difícil porque o nível dos pilotos é muito alto. Mas se conseguirmos vai ser muito legal”, concluiu.